14_11_2008
a 18_05_2012
Não há caminho
sem dor para a transformação dentro de nós mesmos. Hoje sinto essa dor.
Antes de
encontrarmos o verdadeiro Amor, vivemos campos armadilhados que nos minam as
crenças, a confiança, rebentam ilusões, abrem feridas que nos deixam
cicatrizes… e que condicionam a forma como vamos ou não confiar nos sentimentos
das pessoas.
Um ano e meio
após terminar uma relação que durou 12 anos, conheci outra pessoa. Éramos
apenas amigos, falávamos sobre as nossas vidas, trocávamos conselhos,
apoiávamo-nos e apesar de negarmos muito tempo, nasceu o amor entre nós. Ele é
a pessoa mais especial que eu conheço, por quem tenho uma admiração e respeito enormes,
a pessoa que me conhece inteira, o melhor e o pior de mim! Apesar disso, e porque
eu tenho 2 filhos da relação anterior, fomos sempre cautelosos porque não
queríamos magoar-nos ou os meus filhos. Quisemos sedimentar os nossos
sentimentos para depois avançarmos para uma vida a 4, na construção efetiva da
nossa história.
Ele era o espelho
onde eu me refletia; aquele que apenas refletia o meu verdadeiro eu; a imagem
que hoje procuro dentro de mim e não encontro.
Os últimos 3
anos e meio foram vividos lado a lado, partilhando dias, noites, confissões,
fantasias, receios e sonhos! Foram dias luminosos em que vivemos momentos
lindos, de ternura, amor, paixão, de um envolvimento tão, tão puro, que eu
julgava impossível. Sentia por vezes que não era possível encontrar alguém que
me completasse por inteiro! Fui tão feliz que cheguei a duvidar que fosse real.
Via-me através dele. E sei que ele sentia o mesmo, olhava nos meus olhos e se
via também. Bastava um olhar e ele sabia o que eu estava a pensar. Fomos
melhores pessoas ao lado um do outro.
Foi ele quem
me mostrou o lado mais belo de mim mesma, a mulher interessante e corajosa que
eu desconhecia ser. Fez-me sorrir e ousar desejar ser a sua mulher o resto da vida (apesar
de ele sempre me dizer que eu era muito independente e jamais casaria de novo…
mas não sou assim). Trouxe-me a paz e a tranquilidade e devolveu-me a
auto-estima. Trouxe alegria e amor também aos meus filhos que o adoravam! Os
meus filhos foram aliás, quem percebeu o quanto gostávamos um do outro e nem
precisamos dizer nada…
Era como se
nos conhecêssemos de uma vida inteira!
Em 3 anos
fizemos juntos, coisas lindas, tudo valia a pena só para estarmos juntos 5
minutos e trocarmos um beijo ou um abraço. Cada manhã havia um sorriso, um sms,
uma flor, um beijo…
Também vivemos dias difíceis, duros, momentos
de angústia e dor. O nosso amor fora posto à prova tantas vezes. O passado
teimava sempre em voltar, e se nos aguentámos juntos tanto tempo a lutar por
sermos felizes e construirmos a nossa história, um dia fraquejámos. Desistimos.
Estávamos cansados de lutar e apesar de ele sempre ter permanecido a meu lado,
apesar de o amar como não tinha amado antes ninguém, pus o seu bem-estar acima
de tudo e afastei-me, dei-lhe espaço para poder escolher o seu caminho e ser
feliz.
Afastar-me da
pessoa que me completava e amava foi das decisões mais duras da minha vida.
Nesses meses trocávamos e-mails, almoçamos algumas vezes, fizemos km para nos
vermos 10 minutos…mas não estávamos juntos de facto. Nem para tudo encontramos
explicações e às vezes dizia-me que o
nosso amor não era deste tempo, desta dimensão….
Apesar disso,
tenho dele as melhores recordações. Ele é uma pessoa maravilhosa, sinto que é ele
é o amor da minha vida, metade de mim, o lado que me completa junto com os meus
filhos.
Mas nestes 3
anos, perante alguns obstáculos que fomos encontrando, perante o receio de que
não soubéssemos lidar com as adversidades, com medo de não dar certo e voltar a
falhar um casamento, recusei assumir o quanto o amava e desejava estar a seu
lado.
Do meu
passado, voltavam por vezes questões relacionadas com o meu ex-companheiro que
nos destabilizavam, que abalavam a harmonia do nosso relacionamento. Por isso,
no último ano procuramos distanciarmos. Mantivemos sempre alguma proximidade;
havia sempre um almoço, um sms, um e-mail, a alegria pelo sucesso um do outro,
uma palavra de consolo nos momentos difíceis, um abraço, um olhar… e por vezes,
caíamos no abismo de um beijo que nos restaurava a alma. Escrevemos o verbo
amar no corpo um do outro vezes sem conta, no silêncio do nosso quarto, no
vazio de uma praia no inverno, ou onde fosse... aquele momento era só nosso!
Ele fazia-me bem. Fazia-me voltar a ser criança e acreditar nos sonhos. Dava-me paz. Força e coragem.
Ele fazia-me bem. Fazia-me voltar a ser criança e acreditar nos sonhos. Dava-me paz. Força e coragem.
Há escassos
dias, soube que ele está com outra pessoa. Que está numa relação muito recente,
mas da qual não me falou. Senti-me traída é verdade. Apesar da dor que isso me
causou, da tristeza, não consigo odiá-lo porque tenho dele as melhores
recordações de todos os nossos momentos vividos. E foram tantos…
Mas sei hoje
também que estou grávida de 7,5 semanas de um filho dele, um filho nosso, o
filho que ele tanto queria ter…
Após dar-lhe
conhecimento desse fato, respondeu-me apenas que esta criança não podia nascer
porque já não estávamos juntos… Compreendi e aceito, mas dói-me muito esta
decisão. E internamente, estou numa luta… Como alguém que sempre disse amar-me
e tanto o demonstrou em apenas 3 ou 4 semanas se envolve com outra pessoa, e
esquece tudo o que vivemos? Rejeita um filho?
Apesar de
consciente de que um filho deve ser um projeto de 2 e não apenas a decisão de
um, consciente dos constrangimentos que tudo isto causa havendo agora outra
pessoa a quem ele está ligado, não deixo de me sentir profundamente desolada
por desta vez ele não estar a meu lado como sempre esteve. Pergunto-me se me
deixou de amar assim…? Se esqueceu tudo o que vivemos e lutamos para poder
ficar juntos…?
Disse-lhe que
não iria levar esta gravidez pela frente se ele não quisesse; não quero que
julgue que vou prendê-lo com um filho que ele agora não quer ter. E não o
pretendo fazer, mas a verdade é que olho a eco e vejo o meu filho ainda tão
pequenino ali… a concretização do amor que nos uniu. Vejo o meu corpo mudar
todos os dias e queria que ele se sentisse contagiado com esta mesma alegria
até porque nunca foi pai.
No meu
interior, apesar de não lhe ter dito, quero muito muito ter este bebé, lutar
pra que nasça saudável e poder vê-lo crescer ao lado dos meus filhos. Com ele
ao meu lado ou não. Queria que ele desse uma oportunidade a esta criança e
apenas a amasse; nada mais. Queria chamar-lhe “Salvador” se fosse um menino e
“Sara” se fosse menina…
Sinto-me
perdida, aterrada perante a ideia de decidir fazer um aborto do filho do homem
que eu amo, que me amou e sinto que não posso forçá-lo a aceitar também a minha
posição. Mas em nenhuma das situações, não sei se saberei (ou saberemos) lidar
com esta decisão o resto das nossas vidas.
Aquele que
podia ser um momento emocionado e feliz nas nossas vidas, o inicio de uma nova etapa,
tem sido um conjunto de sentimentos que nem sempre consigo identificar com
mistura de amor, decepção, alegria, angustia, medo…lágrimas, dor.
Tínhamos
tantos sonhos juntos…. e hoje sinto que é tarde; que não lhe disse enquanto era
tempo o quanto o amava e que era a seu lado que queria ficar, acontecesse o que
acontecesse.
Olho um homem
que desistiu de nós, mudou até, está diferente…
Pergunto-me se
este filho não nos deveria fazer olhar de novo para tudo o que vivemos, para
aquilo que dia após dia construímos, e dar uma oportunidade a nós a e ele
próprio – à nossa família -. A
vida é irónica…. E esta é de longe a forma mais triste com que poderíamos por
um ponto final no nosso Amor.
Amo-o com todo
o meu ser, e respeito a sua decisão, mas como posso eu ver a pessoa mais
importante da minha vida (obviamente não falando dos meus filhos) partir, ir
embora e nada fazer, ou sem lutar uma última vez por nós? Como posso ignorar o
fato de ter o nosso filho a crescer no ventre e não lhe dar a hipótese de vir
ao mundo?
Sinto-me
perdida…